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1. Introdução

O Sistema Circulatório ou Cardiovascular compreende um órgão propulsor, o coração, e uma série de condutos de diversos tipos e calibres (vasos arteriais, capilares, venosos e linfáticos), nos quais circulam o sangue impulsionado pelas contrações rítmicas do coração, colocando em comunicação todas as partes do corpo. Tem como função conduzir a todos os órgãos e tecidos o sangue, realizando o transporte de gases, hormônios, nutrientes, calor, o intercâmbio de materiais e também recolher os resíduos metabólicos.

O envelhecimento é um processo único e inexorável caracterizado pela redução gradativa da capacidade dos vários sistemas orgânicos em realizar eficazmente suas funções, associadas ao estilo de vida do indivíduo 1.

O sistema cardiovascular constitui-se de diversos componentes e tem uma interação dinâmica, o que dificulta delimitar as alterações decorrentes do envelhecimento daquelas provocadas por patologias, principalmente porque a população em questão (mais de 50% dos idosos com 60 anos ou mais) apresenta cardiopatias. Existe um consenso na literatura geriátrica, sobre a dificuldade de distinguir as alterações fisiológicas determinadas pelo processo de envelhecimento no sistema cardiovascular, das alterações decorrentes da alta prevalência de comorbidade cardíaca senil 2,3.

2. Alterações Morfológicas

Ao contrário do que ocorre em outros órgãos, o peso do coração aumenta com a idade. O coração humano aumenta em massa aproximadamente 1g/ano nos homens e 1,5g/ano nas mulheres 2, o que é corroborado por Miguel Jr, quando diz: “(...) O coração é o único órgão que com o envelhecimento não só se atrofia mas, pelo contrário, se hipertrofia. Esta hipertrofia decorre do aumento da pós-carga associada ao envelhecimento, decorrente primordialmente do enrijecimento arterial1. Além do aumento da massa do músculo cardíaco, também verifica-se aumento maior da espessura do septo interventricular que da parede do ventrículo esquerdo (VE) 1.

No miocárdio, observa-se acúmulo de gordura nos átrios e no septo interventricular, além de degeneração muscular com substituição de células miocárdicas por tecido fibroso, aumento do colágeno, hipertrofia do ventrículo esquerdo, depósitos intracelulares de lipofuscina e de substância amilóide (amiloidose senil) 3,5. O aumento da resistência vascular periférica pode ser responsável por moderada hipertrofia miocárdica concêntrica principalmente em VE 3

No Pericárdio as modificações são mais discretas, decorrentes do desgaste progressivo, ocorrendo um espessamento difuso, mais acentuado nas cavidades esquerdas e aumento da taxa de gordura epicárdica 3

No endocárdio ocorre um espessamento e opacidade, mais evidentes em câmaras esquerdas, com proliferação das fibras colágenas e elásticas, fragmentação e desorganização destas com perda da disposição uniforme habitual, devido ao resultado de hiperplasia irritativa resultante da longa turbulência sanguínea. A partir dos 60 anos, há infiltração lipídica, particularmente no átrio esquerdo. Aos 80 anos as alterações escleróticas são observadas de modo difuso em todas as câmaras 3,4,5

2.1. Alterações Valvares 

O tecido valvar é composto predominantemente por colágeno, e por isso, está sujeito a grandes pressões. Com o envelhecimento, ocorre degeneração, espessamento e calcificações destas estruturas. Estas alterações são mais freqüentes na aorta e na mitral. Inicialmente ocorre uma redução do conteúdo de mucopolissacárides e aumento de lípides; com o aumento da idade, pode haver processos moderados de espessamento, de esclerose discreta, fragmentação colágena e formação de nódulos no bordo de fechamento das cúspides 5. Na valva aórtica a calcificação pode se estender até o feixe de His, com áreas fibróticas nas bordas das cúspides constituindo as excrescências de lambia. As calcificações na valva aórtica são mais freqüentes em homens. Alterações semelhantes ocorrem em artérias coronárias 2,3,5

2.2. Alterações Vasculares

As alterações vasculares podem ser divididas em estruturais e fisiológicas. 

* Alterações Estruturais:O espessamento endotelial;Calcificação da musculatura lisa;Teor reduzido de fibras elásticas;Aumento do teor de colágeno;Perda da integridade das válvulas venosas.

* Alterações Fisiológicas:Menor retração elástica;Tendência para comprometimento da difusão;Complacência reduzida;Tendência para acúmulo venoso;Resistência periférica total aumentada 6.

3. Alterações do Sistema de Condução ou Específico e S.N.Autônomo

A condução cardíaca é alterada pelo envelhecimento das células marcapasso no nó sinoatrial, embora no coração em repouso a função cardíaca não parece ser afetada 3,5. Há acentuada redução do número de células do nó sinusal, que podem comprometer o nó atrioventricular e feixe de His. A degeneração do sistema de condução predispõe ao aparecimento de arritmias, principalmente a doença do nó sinusal 3,7.

Infiltração gordurosa separando nó sinusal da musculatura subjacente contribui para o aparecimento de arritmia sinusal, sendo mais freqüente a fibrilação atrial. Distúrbios do ritmo variam de arritmias benignas até bloqueios de ramos que evoluem para bloqueios atrioventriculares, podendo levar até crises de Stokes-Adams 3,7

A contratilidade miocárdica é diretamente afetada pela estimulação do sistema nervoso simpático, especificamente, pelos receptores beta-adenérgicos 2. Estudos demonstram diminuição da eficácia da modulação beta-adrenérgica sobre o coração e vasos com o envelhecimento, mesmo que os níveis de catecolaminas estejam aumentados, principalmente durante o esforço. Acredita-se em falha nos receptores beta-adrenérgicos ocasionada pelo aumento dos níveis de catecolaminas, principalmente noradrenalina, freqüentemente aumentada no idoso. Conseqüências funcionais da diminuição da influencia simpática sobre o coração e os vasos do idoso são observadas principalmente durante o exercício. Por isso, à medida que se envelhece, a obtenção do aumento do débito cardíaco durante o esforço ocorre com maior uso da lei de Frank-Starling, havendo dilatação cardíaca e aumento do volume sistólico para compensar a resposta atenuada da freqüência cardíaca 3. O efeito vasodilatador dos agonistas beta-adrenérgicos sobre aorta e grande vasos também diminui com a idade, bem como a resposta inatrópica do miocárdio às catecolaminas e a capacidade de resposta dos barorreceptores às mudanças de posição 5.

4. Alterações Funcionais

A capacidade do coração em realizar com eficiência seu trabalho é afetada principalmente por três outros sistemas: respiratório, cardíaco e vascular. A ocorrência de alterações relacionadas à idade ou a processos mórbidos afetará diretamente a função cardíaca 4.

Alguns estudos mostram que a função cardíaca no idoso sadio em situação de repouso, em especial a função sistólica, não apresenta queda (freqüência cardíaca, volumes cardíacos, débito cardíaco, fração de ejeção similares aos jovens), porém a reserva cardíaca diminui, resultando em dois processos associados ao envelhecimento:

* Elevação progressiva da pós-carga ou impedância à ejeção ventricular, devido enrijecimento progressivo da aorta e dos grandes vasos;

* Redução da resposta cardiovascular à estimulação beta-adrenérgica, que se manifesta por diminuição da resposta cronotrópica, inotrópica e vasodilatadora 2.

Em função de tais processos, mecanismos diferentes são responsáveis pelo aumento na produção cardíaca durante exercícios em idosos e em jovens. As pessoas mais jovens notavelmente aumentam a freqüência cardíaca durante o exercício e as pessoas mais velhas, em razão da menor resposta cronotrópica, demonstram aumento no volume sistólico 2,3. Em grupos de idades diferentes, acredita-se que essa diferença na freqüência cardíaca, que acontece com o exercício, esteja relacionada com uma diminuição na resposta simpática em pessoas de idade avançada, secundários às alterações do envelhecimento. Também foi mostrado que uma resposta diminuída do sistema nervoso simpático afeta a contratilidade miocárdica e reatividade vasomotora em pessoas idosas 2,3.

A função diastólica sofre alterações com o envelhecimento, O ventrículo tende à hipertrofia devido ao aumento da pós-carga. A hipertrofia associada à redução da complacência ventricular, ao prolongamento do relaxamento ventricular e ao aumento da pós-carga, contribui para a diminuição da fase de enchimento rápido do ventrículo no início da diástole. Dessa forma, o coração do idoso torna-se dependente da fase final do enchimento ventricular. A menor complacência ventricular deixa o idoso sensível às elevações da pré-carga, e pequenos aumentos de volume podem determinar elevação da pressão de enchimento ventricular até o edema agudo de pulmão (perda de contração atrial devido fibrilação atrial pode causar queda importante do débito cardíaco). Já o débito cardíaco pode ser mantido no idoso se o volume de ejeção ou sistólico for capaz de aumentar e compensar qualquer resposta reduzida da freqüência cardíaca, em gerontes com bom condicionamento físico 2,3.

5. Considerações Finais

O processo do envelhecimento do sistema cardiovascular acontece através de diversos fatores, desde alterações estruturais, por desgaste dos órgãos que compõe este sistema até modificações  (p.ex. hipertrofia cardíaca) para manter a integridade do mesmo.

O desempenho cardíaco é uma interação dinâmica de mecanismos compensatórios, alguns dos quais podem não estar disponíveis para o idoso. Ao se avaliar modificações provenientes do processo do envelhecimento no sistema cardiovascular, deve-se estar atento às diferenciações da senilidade e da senescência, pois nessa faixa etária existe uma alta incidência de comorbidades cardíacas que somadas com envelhecimento global dificultam esta distinção.

É alentador enfatizar que a prática de atividades físicas permite uma melhor eficiência do sistema cardiovascular.



Referências Bibliográficas 

1. MIGUEL JR, A. Medicina Geriátrica. Disponível em: <http//:www.medicinageriatrica.com.br>. Acesso em 01/02/2008.

2. VELLOSO, M; LORENZO, V. A. P. Fisioterapia aplicada aos idosos portadores de disfunções cardiovasculares. In: REBELATTO, J. R; MORELLI, J. G. S. Fisioterapia Geriátrica: a prática da assistência ao idoso. 2 ed. São Paulo: Manole, 2007. p. 352-355.

3. AFFIUNE, A. Envelhecimento cardiovascular. In: FREITAS, E.V. et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 1 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 228-232.

4. COHEN, M. M. S. Considerações cardiológicas no idoso.In: KAUFFMAN, T. Manual de reabilitação geriátrica. 1 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. p. 21.

5. FARIA, A. C. N. B. Curso de especialização em saúde do idoso – Geriatria e Gerontologia - Módulo: Alterações anatômicas e fisiológicas do envelhecimento. Disponível em: <http//:www.ciape.org.br>. Acesso em 23/01/2008.

6. WOJCIK, M.; KRISTIN, V. N. Efeitos do envelhecimento na função vascular. In: KAUFFMAN, T. Manual de reabilitação geriátrica. 1 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001.

7. COSTA, E. F. D. A. et al. Semiologia do idoso. In: PORTO, C. Semiologia médica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,1990. p.168.


                                                                                * Publicado em 04/05/2008