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1. Introdução

A elevação da expectativa de vida da população mundial faz crescer o interesse por parte dos profissionais da área de saúde em medidas que mantenham a autonomia, a independência e a qualidade de vida dos indivíduos idosos. Estudos sobre as repercussões do envelhecimento se fazem necessários, de modo a permitir que estes indivíduos se adaptem às sucessivas modificações orgânicas que estão para ocorrer 1.

O envelhecimento constitui, fisiologicamente, modificações morfofuncionais em diversos sistemas orgânicos, entre eles o aparelho respiratório1, que por ter grandes reservas ventilatórias, compensa as conseqüências estruturais e fisiológicas do envelhecimento 2.

2. Alterações Estruturais

Alterações associadas à idade podem ser encontradas nas estruturas anatômicas do sistema respiratório, tanto da porção responsável pela troca gasosa, tecido pulmonar, como no conjunto musculoesquelético, a caixa torácica e suas inserções musculares 2.

2.1. Tórax

As alterações anatômicas do esqueleto torácico resultam em uma estrutura mais rígida da parede torácica. Foi sugerido que a redução da motilidade no arcabouço costal torácico resultaria de duas alterações primárias. A primeira consistiria em um aumento da ligação cruzada das fibras colágenas dos músculos e das cartilagens costais. A segunda seria principalmente uma alteração da coluna vertebral, aumentando a cifose dorsal devido à desidratação dos discos interbertebrais, tornando a coluna mais rígida e provocando uma redução subseqüente da distância de acolchoamento entre os discos intervertebrais. O resultado composto é um tórax mais rígido e mais curto, que é resistente à deformação e, por conseguinte, requer maior força da musculatura ventilatória para provocar uma alteração na pressão intratorácica 3. Isto trás como conseqüência o aumento do diâmetro ântero-posterior e diminuição do movimento das gradil costal 2.  

2.2. Pulmão

As principais formas de lesões no pulmão senescente consistem em alterações da membrana alveolar, incluindo perda da interface alvéolo-capilar e aumento do tamanho dos alvéolos devido à desnutrição das paredes individuais dos alvéolos 2. Ocorre também mudanças morfológicas no pulmão do idoso, como o declínio no volume do leito capilar pulmonar, que resulta em aumento da pressão da artéria pulmonar em média 30% e um aumento da resistência vascular pulmonar em até 80%; perda progressiva na área de superfície alveolar de menos de 30% devido a fenestração intra-alveolar 4.

Um achado microscópico típico no pulmão do idoso é a bronquiectasia, que representa a dilatação do bronquíolo respiratório e dos ductos alveolares. Essa bronquiectasia altera a função pulmonar e aumenta o espaço morto anatômico 4.

No interstício pulmonar, as fibras elásticas, o colágeno e a musculatura lisa desempenham importante papel na tensão elástica pulmonar, podendo também sofrer influências do volume sanguíneo pulmonar e do muco brônquico 5, que, por conseqüência do aumento das glândulas produtoras de muco, aparece com camadas mais espessas 2. Mudanças moleculares importantes nas estruturas das proteínas, juntamente com a proteólise da elastina e mudanças na composição e no volume de surfactante pulmonar, são responsáveis pela significativa diminuição no recuo elástico intrínseco no pulmão do idoso 4, que traz como conseqüência o aumento da complacência pulmonar 2,5,6.

A diminuição da pressão de recuo elástico pulmonar, com a idade, pode estar relacionada com a mudança na quantidade e na composição dos componentes de tecido conjuntivo do pulmão (elastina, colágeno, proteogicanos), embora dados mais recentes questionem tal fato 4.

2.3. Vias Aéreas

Mudanças estruturais nas vias aéreas superiores e inferiores ocorrem com o avançar da idade. A perda de suporte muscular farígeo, que juntamente com alterações nas concentrações de elastina e colágeno, predispõe obstrução das vias aéreas superiores, aumenta a rigidez da traquéia e dos brônquios e diminui a elasticidade das paredes bronquiolares 4,5. Associadas a outras alterações, como a redução do clearance mucociliar, decorrente da diminuição do número e da atividade das células mucociliares do epitélio de revestimento brônquico, predispondo a um maior risco de infecções, e a perda dos reflexos protetores das vias aéreas, resultam em alta incidência de aspiração brônquica entre os idosos 5. 

2.4. Musculatura Respiratória

Os músculos ventilatórios são constituídos de fibras musculares tipo I (contração lenta) e fibras musculares tipo II (contração rápida), semelhantes a outros músculos esqueléticos. Esta constituição permite que a composição do músculo seja responsiva ao padrão de atividade e ao papel funcional que os músculos têm no organismo 3.

No envelhecimento fisiológico, ocorre substituição de tecido muscular por tecido gorduroso, que, somado à redução da mobilidade da caixa torácica, à posição de repouso menos eficiente (diafragma retificado) e à diminuição do número de capilares em relação às fibras musculares, contribui para a redução de massa e potência da musculatura esquelética, acarretando menor capacidade de sustentar o trabalho muscular (endurance) 2,5. Tais alterações, conseqüentemente, modificam o desempenho pulmonar e contribuem ainda mais para a redução da função do pulmão com o avançar da idade 5.

3. Alterações Funcionais

As funções primárias do sistema respiratório consistem na troca gasosa entre o sangue e o ar atmosférico e na proteção do corpo contra invasores carreados pelo ar. A função pulmonar é avaliada pelo teste de espirometria clínica e pode fornecer informações práticas a respeito das mudanças relacionadas com a idade 4.

Estudos epidemiológicos sugerem que a função pulmonar prejudicada resulta em altas taxas de mortalidade, sendo uma das causas principais de óbitos em homens e mulheres 4. Em idosos, esse aspecto torna-se ainda mais importante, sendo a função respiratória sugerida como fator de qualidade de vida entre os mesmos 2,4.

FONTE: Lorenzo e Velloso, 2007.Os volumes e capacidades pulmonares, representados na figura ao lado, apresentam variações fisiológicas de acordo com sexo, idade e estatura do indivíduo 4. Com o avanço da idade, a capacidade pulmonar total (CPT) permanece constante, porém os demais volumes pulmonares apresentam mudanças 4,5.

A capacidade residual funcional (CRF), determinada pelo equilíbrio entre a tendência natural do pulmão pra retrair e a tendência contrária da parede do tórax para expandir-se, encontra-se ligeiramente elevada no idoso. São considerados fatores contribuintes para esta alteração o aumento do volume de oclusão, secundário ao colapso das pequenas vias aéreas, e o esvaziamento pulmonar insatisfatório, decorrente de aumento da complacência alveolar e diminuição da elasticidade pulmonar 4,5.

A capacidade vital (CV) está ligeiramente reduzida no indivíduo idoso, devido ao aumento do volume residual decorrente da redução da complacência torácica, aumento da complacência pulmonar e redução da força dos músculos respiratórios 5.

O volume residual (VR), volume que permanece no pulmão após uma expiração máxima, está aumentado em decorrência das mudanças nas propriedades elásticas do pulmão 2,4,5.

Existem divergências quanto à natureza da alteração do volume corrente (VC) no idoso. Segundo Gorzoni, 2002, o VC, bem como a CPT, pouco se altera 5. Em contrapartida, Lorenzo e Velloso, 2007, relata que as alterações estruturais do sistema respiratório levam à redução do VC e ligeiro aumento compensatório da freqüência respiratória (FR) 4. Há, ainda, quem defenda o aumento do VC e, consequentemente, do volume minuto no idoso 2. 

A expiração forçada é realizada pela função do músculo respiratório e o recuo elástico do pulmão, que diminui com a idade fazendo com que ocorra um fechamento precoce das vias aéreas durante a manobra expiratórias. Além de apresentar redução nas taxas de fluxo expiratório forçado associado à idade, essa diminuição de fluxo em vias aéreas de pequeno calibre tem diversas implicações importantes, como diminuição das taxas de fluxo expiratório, que podem resultar em uma tosse menos efetiva e pode levar a anormalidade na troca gasosa 2,4. O colapso das vias aéreas distais cria um desequilíbrio entre ventilação e perfusão, levando a uma redução da pressão arterial de oxigênio (PaO2). O volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1) diminui aproximadamente 30ml anualmente 4.

A resposta ventilatória à hipóxia e hipercapnia encontra-se reduzida em 50% e 40%, respectivamente, no idoso comparado aos jovens. Tais mudanças decorrem de mecanismos neurais centrais e possivelmente da diminuição da força e da coordenação dos músculos respiratórios em lugar de quaisquer alterações nos pulmões. Dessa forma, em casos de alterações clinicamente significativas em gases do sangue arterial, o sintoma de dispnéia está ausente. Há evidencias sugestivas de que idosos não desenvolvem dispnéia até uma fase substancialmente tardia de sua enfermidade clínica, comparado as pessoas mais jovens 4.

Em relação à atividade física, o idoso tem uma menor capacidade de adaptar-se ao exercício. Isto se deve ao maior consumo de oxigênio durante a atividade física, ao aumento do espaço morto, tanto anatômico quanto fisiológico, à redução da capacidade ventilatória e do débito cardíaco, bem como à menor resposta aos controles centrais e periféricos da ventilação 5. 

Pelo fato do sistema respiratório possuir grandes reservas respiratórias, a redução da sua função pode passar despercebida num idoso saudável, até que ele chegue na 6ª, 7ª ou até mesmo 8ª década de vida 7.

 

 
Referências Bibliográficas

1. MAYOR. A; MAYOR,U. R. Avaliação funcional do aparelho respiratório aos efeitos do envelhecimento: aplicabilidade dos exercícios globais de força e resistência. Rev. Fisioterapia Brasil, v.5, n.1, p. 56-60. jan.-fev. 2004.

2. KAUFFMAN, T. L; JACKSON, O. O indivíduo como um todo. In: KAUFFMAN, T. L. Manual de reabilitação geriátrica. Rio de janeiro: Guanabara Koogan, 2001. p. 14-20.

3. BOURGEOIS, M. C; ZADDAI, C. C. Ventilação e respiração deficientes no idoso. In: GUCCIONE, A. A. (ed). Fisioteraia geriátrica. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.

4. LORENZO, V. A. P. D.; VELLOSO, M. Fisioterapia aplicada aos idosos portadores de disfunções do sistema respiratório. In: REBELATTO, J. R.; MORELLI, J. G. DA S. Fisioterapia geriátrica: a prática da assistência ao idoso. 2. ed. São Paulo: Manole, 2007. p.385-392.

5. GORZONI, M, L.; RUSSO, M. R. Envelhecimento respiratório. In: FREITAS, E. V. et al Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. p. 340- 343.

6. JANSSENS, J. P.; PACHE, J. C.; NICOD, L. P. Physiological changes in respiratory function associated with ageing. European Respiratory Journal, 13:197-205. 1999.

7. COHEN, M. Considerações pulmonares na terceira idade. In: KAUFFMAN, T. L Manual de reabilitação geriátrica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2001. p. 25-29.

                                                                            

                                                                 *Publicado em 15/02/2008